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Coral e Catarse

Bom, não faz muito tempo, eu escrevi aqui como a costura pra mim é totalmente catártica (Dicionário Freudiano by Lívia: catarse - processo pelo qual liberamos o que está dentro de nós, como raiva, angústia, alegria e coisas assim). Mas bom, é meio óbvio que eu não tenho uma máquina de costura em São Carlos. E nem sempre sobra uma graninha pra comprar tecidos... Resumindo, tava precisando de outra atividade pra ser minha catarse.

E aí, no final do ano passado veio a brilhante idéia (créditos para a Leninha pela dica) - vou participal do coral da UFSCar! Uai, não é novidade pra ninguém que eu gosto de música e gosto de cantar e lalala e nanana... Pois bem, já era final de ano, não dava mais tempo de entrar, mas adivinha o que eu fiz assim que cheguei aqui nesse ano?

Enfim, a diferença que os ensaios têm feito em mim é praticamente palpável. Eu volto pra casa outra pessoa, apesar das semanas corridas, apesar das loucuras que acontecem, eu volto calma, relaxada, feliz. Eu me divirto, esqueço dos problemas e brigo comigo mesma não porque eu estou atrasada com algum prazo, mas porque eu não estou controlando meu diafragma. Sabe de uma coisa? É um alívio brigar comigo mesma por causa disso... ; )

Life I love

Nesse tempo morando fora, passei a dar um valor tremendo aos meus finais de semana. E como bom ser humano, dou mais valor ainda quando sou privada de voltar pra casa, como essa semana. Mas, um dos momentos que eu mais espero é o meu sábado. Sábado é o dia. O dia em que eu tenho a chance de ficar mais perto dos meus amigos e (superhipermegaultra legal) temos a oportunidade de fazer música.
Eu já falei aqui que sou muito ligada à música, mas melhor do que ouvir, é fazer. Aparentemente, nada demais. Violão, teclado, bateria, flautas, microfone. Quase sempre as mesmas músicas - as nossas favoritas. E, incrivelmente, cada vez que tocamos juntos (seja música góspel, secular, trilha sonora da Disney ou o que for), me sinto diferente, mas sempre, extremamente bem.
Esse momento de proximidade, de trocar olhares, dar risada quando erramos e festejar quando acertamos. E ali, naquele espaço de tempo, estamos nos conhecendo melhor, nos aproximando, partilhando nossas vidas. Simples e ao mesmo tempo profundo. Do jeitinho que eu gosto.
"Life I love is make music with my friends and I can't wait to get on the road again"

Home


Nessa minha vida de viajante, sou frequentemente lembrada de como é bom estar em casa. Quem já foi morar fora, talvez possa me entender melhor: por mais legal que seja estar em outro lugar, não tem como não sentir falta de algumas coisas, como o cheiro que só a nossa casa tem...
Mas então eu fico a me perguntar: onde é a nossa verdadeira casa? Se eu recorrer à Kimya Dawson, ela dirá que é onde nosso coração está. Chris Daughtry, me dirá que é o lugar ao qual pertencemos. Sim e sim.
É pra lá que sabemos que sempre podemos voltar; onde não importa o que aconteça, teremos um porto seguro. Onde estão as pessoas que realmente se importam conosco e nos amam. O que não significa necessariamente aquele lugar com quarto, sala, cozinha e banheiro. É onde podemos ser exatamente quem somos, sem medo.
Termino com versos do Daughtry, que dizem: "I'm going to the place where love and feeling good don't ever cost a thing; I'm going home."


"Please, don't stop the music"


A música mexe comigo de maneira distinta. Eu sei que ela mexe com a maioria das pessoas bem intensamente, mas no meu caso, ela faz parte de mim. Como um anexo ou algo assim. O dia em que eu não estiver cantarolando alguma coisa ou escrevendo algum pedaço de uma letra em algum lugar, pode ter certeza que não estou em meu estado normal...
E justamente por essa relação toda, acabo tendo trilhas sonoras muito presentes. Certas músicas vão sempre me lembrar de certos lugares, acontecimentos, pessoas. Algumas vão me fazer sorrir em certos versos, outras me causarão um aperto no peito ao primeiro acorde; seja como for, passe o tempo que passar.
O lado ruim? Ser incomodada por certas coisas em momentos inoportunos. O bom? Lembrar que certas coisas nessa vida não têm preço, saber e sentir que detalhes fazem toda a diferença... No final das contas, apesar dos pesares, continuo sempre montando e moldando minha trilha, sonora ou não...