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Miscelânea (IX)

Quase sempre, quase sem querer.
Às vezes mais, às vezes menos; quanto mais, menos.

O tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta agora tinha dificuldades em se manter.
A Lon.ga.ni.mi.da.de não dava as caras há muito tempo.

Surpresas atrás de surpresas, mas já não fazia tanta diferença.
Quase nunca, quase sem querer.

Não sabia e nem queria saber. Deixe que venha, deixe acontecer.
Dos pesadelos e devaneios não se livraria tão fácil.
Deixe ser, deixe estar.

Impossível é o que é.
Mas vai ter que ser possível.
Quase sempre, mais do que por querer.

The Scientist

E ninguém nunca havia dito que seria fácil. Ninguém havia dito que não haveria volta para o começo - mas esperava-se que estivesse subentendido. A velha sensação de nostalgia estava de volta, mas dessa vez, não havia dor, nem angústia, apenas um sentimento estranho, como reencontrando um velho amigo.

Alguns sorrisos começaram a lhe ocorrer, tantas recordações ao longo de tantos anos, envolvendo diferentes personagens. Sonhos estranhos (ah, estava certo aquele que disse que eles eram a realização dos desejos), conversas infinitas, piadas únicas. Mas mesmo aquelas que costumavam doer, agora traziam um aroma diferente, um sabor delicioso ao voltarem à cena.

Talvez seja o tempo, talvez sejam pessoas e lugares diferentes. Talvez seja tudo isso e mais aquele detalhe que só aparece depois de muito tempo, quando se olha pra trás e percebe-se que tanta coisa mudou, mas tudo continua do mesmo jeito. Ainda não era chegado o momento de correr sem destino, sem precisar fugir. Mas talvez não fosse preciso, por enquanto.


E ao ter esses pensamentos tão concretos e abstratos ao mesmo tempo, percebeu que na verdade não queria voltar ao começo. Queria apenas, seguir.

Miscelânea (VIII)

Expectativas. Mas sem saber exatamente sobre o que. Como se olhasse para o relógio, certa de que na hora, minuto e segundo exatos, BibedeBóbideBu. Seguindo em latência, um gatilho sem disparar, esperando.

Miscelânea (VII)

E a gente vai descobrindo que nem tudo é pra sempre.
Que nem sempre é tudo.

Que lutar vale a pena, independente da total ausência de forças;
Mas em algumas horas, não há mais nada a fazer além de entregar os pontos.

A sorte bate à nossa porta,
Nós batemos a porta na cara dela.

O muito pra nós pode ser pouco pro outro,
Nem sempre enxergam o quanto mudamos.
Será que mudamos mesmo?

A realidade ao redor assusta, desespera.
Confere ainda mais valor ao que há de mais valioso.

Borboletas sempre voltam
Mas é você que deixa elas irem pra começo de conversa.
Vai continuar deixando?

Miscelânea (VI)

As mesmas sensações atormentavam novamente. Atormentava mais ainda saber que nada podia fazer - e mesmo assim querer fazer. Irritava não se concentrar em nada. Agredia ter só o vácuo e o silêncio. Se mordia de todos os sentimentos. Se controlava pra não explodir.

Completamente paradoxal. Tantas sensações inundavam... As que lhe atormentavam, irritavam e agrediam. Mas as que faziam sonhar, delirar, viajar, esperar. O tempo de novo e de novo. Maior amigo e maior inimigo. Passando como lhe convém sem perguntar se me convém.

Era o segundo inverno. Um ciclo estava completo. Ansiava em viver outros invernos, primaveras, verões e outonos, num ciclo infindável. Era o que lhe dava forças e ao mesmo tempo angustiava. Naquele momento, nem todas as estações acalmavam. E o pior: sabia que não se acalmaria tão cedo.

Miscelânea (V)

Ainda se via vivendo coisas que desejava já terem sido deixadas pra trás. Já havia deixado. E no entanto, elas insistiam em voltar, além do seu alcance. Não precisava, não queria, não sentia. "Um homem que fica para trás é deixado para trás" - regra de ouro dos piratas. Cansava se ver no meio das histórias das consequências, mesmo quando não havia mais afinidades e carências.
Nem oceanos inteiros são capazes de resolver certas coisas. Nunca desejou tanto que tivesse sido o primeiro. Em tudo, desde o mais singelo olhar, o mais inocente sorriso. Não se importava que era resultado de todo o resto. Quis ser uma tábula rasa, só esperando pra ser preenchida.
Seria muito fácil culpar o outro. Como sempre quisera. Sim, seria fácil, se não se sentisse quase igualmente responsável. Talvez fosse mesmo muito irresponsável. Sentia muita vontade de odiar. E continuava escolhendo não fazê-lo. Só mais uma prova do que seria. Jamais seria. Nunca foi, nunca deveria ter sido. Já não sabia mais se não se arrependia.
Tem horas que não há nada que se possa fazer. Nada angustiava mais. Mas já sabia que não precisava abraçar o mundo, tivesse ele o tamanho que tivesse. Não era mais regida pelo medo, sabia que era muito mais do que o saldo entre os erros e acertos. Sentia-se leve, como nunca antes. Sendo exatamente quem era. E acreditanto que, mesmo com todas as falhas, era exatamente quem esperava que fosse.

Miscelânea (IV)

O tempo se arrasta e o tempo voa. Segundos, horas, semanas, meses. Era outono; agora, já é quase primavera. Versos, letras e músicas nunca são sufientes; palavras são vazias. E a vida vai passando, entre lágrimas de tristeza e alegria.
Talvez sejamos marionetes, loucas de vontade de cantar: "E se quiser me examinar, não há cordões em mim!". Pensamos que como nosso nariz não cresce, podemos escolher. Mas não. Sentimemtos têm muita força. Eles que controlam nossos "cordões". Esses não podem ser vistos num exame minucioso, apenas existem.
E em meio a peixes, assassinas, marionetes e andróides vamos crescendo. Uma temporada em Neverland seria bom. Ou não. Deixemos o tempo voar e se arrastar sem fim...

Miscelânea (III)

Amanhece mais um dia chuvoso na triste cidade. Felizmente, aparentemente a previsão para amanhã é sol. Quem sabe. As frustrações também acontecem, parecendo vir nos testar. Testar nossa paciência.
Só o que precisamos é um pouco mais de paciência. Esperar pra ver o final dessas histórias. Histórias de misturas insanas de afinidades e carências. Histórias dessas consequências. Mas tudo está bem quando termina bem. Dessa vez foi preciso citar Shakespeare.
Não saber. Simples assim... Ignorar também pode fazer bem. Todos ignoramos. Noob¹ somos todos...²


¹gíria de fãs de games e afins para aqueles que não entendem nada do assunto.

²agradecimento especial ao Yuri, por sua colaboração nesse post. Obrigada!

Miscelânea (II)

A paz do crepúsculo trocada pela marcação do tempo. Marcando o tempo pelo sorriso. O sorriso que se muda em rosto, volta a sorriso e logo desaparece; depois retorna, alternando-se em fases. O sorriso brilhante estampado no céu a encarar. Continua girando, rindo, dançando; cantando sua canção. Não pode evitar. Mesmo que isso cause bagunça. Mais bagunça. Quase sempre é arrumar a bagunça que o outro deixou. Tentar consertar as impressões erradas. Quem sabe se fosse éter: quase perfeito, quase imóvel. Pena que Aristóteles estava errado... O tempo, o tempo, o tempo. Rendo-me: tudo é mesmo o tempo...

Miscelânea

Esperando aquilo que já espera por mim... Viver e superar os obstáculos, ignorar quando te dizem que não é capaz... Encarar as mudanças. Mudanças rápidas. Mudanças lentas. Esperadas e inesperadas. Aprender a apreciar o que é simples e bom. Mesmo que sem o pote de ouro no final do arco-íris. Esqueça os leprechauns.

O tempo seguindo relativo. Mudando sua velociadade conforme lhe convém. Não se lembra nunca de me perguntar se me convém... Os medos tendo de ser encarados. Estrelas vão insistir em brilhar mesmo depois do amanhecer.

Tudo isso porém, nos deixando extamente onde devemos estar...